O princípio dos arquétipos e da personalidade da marca

10/8/2020

Vivemos em uma cultura visual, e nosso cérebro reage de forma instantânea àquilo que vemos. Um dos fenômenos mais comuns e inconscientes é a pareidolia. Já ouviu falar? Provavelmente não, mas tenho certeza que já vivenciou. Pareidolia é o nome dado para nossa “mania” de detectar imagens vivas em objetos aleatórias. Como quando você enxerga a forma de um rosto nas nuvens ou o clássico coelho na lua.

Ok! Mas, mercadologicamente, onde isso é aplicado? O exemplo mais claro é quando você olha para a frente de um carro e pensa: Uau! Que CARA agressiva! E isso, claro, é proposital. Os designers usam esse fenômeno para personificar produtos, empregando personalidade e valores reais às características que desejam transmitir ao mercado.

No universo da comunicação não é diferente. Essencialmente, as empresas são conduzidas por cultura, valores, identidade e um posicionamento estratégico. Sabe como o consumidor enxerga essa sopa de letrinhas? Similar ao caso do carro: como uma pessoa. E isso é ótimo, pois facilita tudo. Estrategicamente falando, personificar os atributos de uma marca transmite os seus valores e diferenciais de forma mais eficaz ao consumidor e regem a criação de toda a identidade (visual e verbal) e da comunicação.

Vou facilitar ainda mais: Jung, um psiquiatra suíço, sintetizou as características primordiais humanoides em 12 arquétipos e serve muito bem como base da personificação. Alinhar corretamente os arquétipos possibilita a criação da persona correta, incorporando hábitos, formas e rituais de utilização dos produtos e serviços. Legal né?! Então, aí vão os 12 arquétipos e suas definições.

1. O Inocente

Conforme o nome já adianta, o inocente é aquele que inspira pureza, simplicidade e positividade em relação a si mesmo e ao mundo. Ele enxerga as coisas de forma simples e acredita que grandes soluções podem ser encontradas quando lidamos com questões de forma descomplicada. Outras características marcantes na personalidade são autenticidade, espontaneidade e transparência na tomada de decisões.

2. O Sábio

O arquétipo do sábio é responsável por estimular o aprendizado e valorizar o ato de “pensar”. Fonte de sabedoria e grandes insights, acredita que compartilhar conhecimento é uma grande forma de entender o mundo e chegar até grandes lugares. Sua personalidade, então, preza por estar sempre de olho nas principais tendências, estudos e materiais que possam melhorar o entendimento sobre assuntos diversos.

3. O Herói

Destinado a mudar o mundo, esforçado, corajoso e “sangue nos olhos”, esse perfil é altamente produtivo e está pronto para encarar qualquer desafio que surja em seu caminho. Nas ações publicitárias você vai reparar um certo ar de que, com o devido esforço e dedicação, tudo é possível. A superação de falhas do cotidiano é vista de maneira muito forte como forma de vencer no final: heróis não se deixam abalar com respostas negativas ou processos que caminharam contra o previsto.

4. O Fora da Lei

Ele também pode ser reconhecido enquanto rebelde, inquieto e pronto para quebrar barreiras do cotidiano. A sensação de incômodo em relação à sociedade, processos enraizados e burocracia faz com que o fora da lei seja capaz de revolucionar o que está ao seu alcance. Esse “espírito de bad boy” permite que as marcas envolvidas nesse arquétipo sejam vistas como fora do seu tempo, disruptivas e inovadoras.

5. O Explorador

Conforme o nome já adianta, o explorador carrega consigo uma grande vontade de descobrir o mundo e suas novidades, não se prender a amarras da sociedade e se desprender do tédio do dia a dia. A ambição é uma das principais características desse arquétipo, que preza pela liberdade e acredita que grandes sensações como a felicidade e plenitude na vida podem ser conquistadas a partir de pequenas quebras na rotina: só basta querer!

6. O Mago

O arquétipo do mago tem como pilar a transformação da realidade e do senso comum. Pode contar com um ar de mistério, improvisação, ironia, ilusão e — como o nome já adianta — muita magia. Outras características importantes são a coragem, liberdade, inovação e criação de ideias disruptivas, que acabam sendo vistas como “loucas”.

7. A Pessoa Comum

Também pode ser conhecido como “o cara comum” ou “the girl/boy next door”. Seu principal objetivo é se inserir de forma efetiva na sociedade, ou seja, percebemos que esse arquétipo tem afinidade com rotina e não se importa em ser mais um dentre vários. Não existem fórmulas mágicas de sucesso ou grandes promessas: a eficiência é alcançada de forma prática, factível, democrática e acessível. Não parece, mas muitas marcas estão investindo nessas características para aumentar os níveis de humanização e engajamento.

8. O Amante

Por mais que o nome faça referência a um sentimento romântico, o ponto principal desse arquétipo não necessariamente envolve o amor, mas sim a personalização. A sensação que fica é que aquela marca se entrega tanto ao cliente ao ponto de despertar prazer. A característica que envolve os produtos ou serviços, então, é o limite de produção. Uma quantidade menor de pessoas terão acesso àquele bem, o que desperta o sentimento de exclusividade.

9. O Bobo

Também conhecido como bobo da corte, aqui a ideia é se divertir. Despreocupados, engraçados e acessíveis, esse perfil é conhecido por fazer graça de si mesmo e ver a vida de forma muito tranquila.  Marcas que trabalham com esse arquétipo têm como visão o fato de que viver é simples, basta colocar um sorriso no rosto e não “entrar na pilha” do cotidiano. Não espere grandes posicionamentos ou ideias extremamente disruptivas. A chave, aqui, é conquistar um grupo de pessoas com a premissa de que eles serão aceitos independente de quem são.

10. O Cuidador

No caso do cuidador, podemos esperar muito carinho e afetividade no posicionamento. A marca existe enquanto solução para promover uma vida melhor para os seus clientes, e não mede esforços para que isso seja feito. Sua meta é ajudar o próximo e a ideia de negar algo é fortemente desencorajada. As pessoas são colocadas como foco, assim como as necessidades da sociedade como um todo.

11. O Criador

O criador é engenhoso, cheio de criatividade e não sossega até que encontre novos projetos interessantes. Tem traços artísticos e deseja deixar a sua marca no mundo, gosta de compartilhar conhecimento e valoriza qualquer ideia: mesmo que pareça boba, ela é especial.

12. O Governante

Por fim, temos como nosso último arquétipo aquele que se posiciona como um líder nato. Confortável em meio a grandes multidões, tem facilidade de se expressar e conta com grande poder persuasivo. O carisma é percebido com frequência, mas quando preciso ele não deixa de investir em aspectos como a autoridade e força no discurso. Com essa capacidade de unir um grupo de pessoas específicas, cria-se uma comunidade em torno do produto ou serviço da marca. De forma restrita, quem conquista o seu lugar é visto de forma superior aos demais.

Viu? Não é tão complicado. Se você souber quem é e onde está o seu público, conseguirá facilmente alinhar um ou mais arquétipos para definir a personalidade da marca. Para concluir, o legal sempre é ir além e, depois de definir essas características, descrever com detalhes essa persona, identificando qual a idade, como se veste, qual a classe social e assim por diante.

Quer ajuda? É só chamar!